31 dezembro, 2010

Uma rajada de balas

O muro da casa em que Serge viveu por 20 anos e onde morreu em 2 de março de 1991; os fãs não se cansam se pichá-lo. Se estiver em Paris, o endereço é 5 bis, Rue de Verneuil. Fonte da imagem: routard.com.

Sou fã confesso do Serge Gainsbourg (deve haver postagens perdidas sobre ele no blog; experimente a busca "O passado me condena" aí ao lado...). O cara era uma espécie de vanguarda mainstream, se é que isto é possível como definição de uma personalidade musical múltipla, que ia da chanson ao reggae sem pedir licença. Fico pasmo com o charme de uma música bobinha como Bonnie & Clyde - é claro que mademoiselle BB na parceria sempre ajuda - que ressurgiu agora na minha memória.

play e se esbalde.

Bonecos infláveis

Encarar o desafio de fazer uma versão de uma música do Kraftwerk é para poucos. Mas até que o alemão Uwe Schmidt (aka Señor Coconut) não ficou mal na foto...



Showroom Dummies

We are standing here
Exposing ourselves
We are showroom dummies
We are showroom dummies

We're being watched
and we feel our pulse
We are showroom dummies
We are showroom dummies

We look around
and change our pose
We are showroom dummies
We are showroom dummies

We start to move
And we break the glass
We are showroom dummies
We are showroom dummies

We step out
And take a walk through the city
We are showroom dummies
We are showroom dummies

We go into a club
And there we start to dance
We are showroom dummies
We are showroom dummies

(Ralf Hütter)

28 dezembro, 2010

Ouvindo mal?

Sabe o "P mudo" - que de mudo não tem nada, pois seria levemente pronunciado - em algumas palavras, como "opção"? Pois bem, ou eu a vida inteira o pronunciei errado ou de uns tempos para cá para cá todo mundo o transformou em "pi". Dia desses ouvi na rádio um "eruPIção" e agora há pouco um corretor de imóveis disse que o computador está na "recePIção". De qualquer forma, entre as resoluções de ano-novo (que nunca faço ou nunca cumpro) está a de procurar um fonoaudiólogo.

25 dezembro, 2010

Tomatina de estúdio

Trabalho de Ryan Pavlovich que encontrei na lista dos 50 fotógrafos que você deveria conhecer.

Semana natalina: Judy Garland

Clássico dos clássicos para fechar a seleta de músicas da semana natalina: Judy Garland, Have Yourself A Merry Little Christmas (trecho extraído do musical Meet Me in St. Louis, de 1944):

24 dezembro, 2010

Semana natalina: A Merry Hunt

Olhe como ficou o vídeo-cartão de Natal da agência holandesa Cake:



Em 2011, cuidado com a mira! Acerte seus objetivos pelos meios legais, sem traição, puxação de tapete e facada nas costas. Enfim, seja uma pessoa bacana, não um caçador babaca (algum não é?) como o do vídeo acima - que certamente ficou sem presente, hohoho!

Acho que vou passar o Réveillon no templo budista aqui perto de casa :)

Semana natalina: Bobby Helms, Hall & Oates

Regina tá certa: Natal é saudosismo puro!

Meu melhor Natal já foi. Não lembro em que ano (1974, talvez), mas lembro de ter ganhado um triciclo e detestado o chocolate branco que fazia parte de uma barra bicolor (um lado ao leite, do outro aquela massa amarelada com gosto de manteiga de cacau - ainda se fabrica isso?).

Assim, criei uma receita de sobrevivência para as festas de fim de ano: um bando de amigos desgarrados, um presente legal, comida, bebida (é bom ser adulto!) e nada de chocolate branco.

Enfim, Natal é sempre igual, apesar das pequenas variações... como Jingle Bell Rock, aqui no original de 1957 (Bobby Helms)...



...e em um vídeo cafona de Hall & Oates (1983):

23 dezembro, 2010

Pessoas que amamos

Amanda Lear & Salvador Dali

(abaixo, Amanda, que foi musa de Salvador e cover girl do Roxy Music, canta Alphabet, com direito a sample de Bach...)



This is my alphabet.
Because time goes on
and things are changing in my world
here is a new alphabet
for the children of my generation.
Of course all these words have a meaning for me
but other generations might find a different mood to their world.

My alphabet goes like this:

A stands for anything
and B for bionic and Bach
C stands for claustrophobia
and D for dirty old man
E stands for everyone
F is full frontal and friends
G of course, stands for getting a divorce
H now stands for hijacking
and I for a king size ego

J now stands for jukebox and junkies
K is for those who kiss and tell
and leading lady stars with L
Naturally M is for me
and N is for never again
O is for that famous story, mmm
and P for pain and poverty
Q stands for quality which is better than quantity
R stands for rock and roll fan
S is sexy and sad
T drives them totally mad
and U are everything to me
V stands for little voodoo
and W for where and when
X sounds extremely mysterious
Y is a question I keep asking
and Z dear child, for the zero you will get if you don't learn my alphabet.

Porto seguro

Anchor, novo single da cantora americana Liz Janes, é balada para acompanhar muitas e muitas taças de vinho. Ou para entrar na programação de FM que toca flashback. Se você não bebe nem quer esperar 10 anos para ouvir uma música em uma rádio barata enquanto cruza a cidade de ponta a ponta, veja o vídeo abaixo. Para ouvir o álbum inteiro - Say Goodbye - vá ao site da Asthmatic Kitty Records.

Semana natalina: Sufjan Stevens

Natal tem de ter lampadinhas, como lembra o multi-instrumentista americano Sufjan Stevens:

22 dezembro, 2010

Ligações familiares

Depois da minha (re)descoberta do duo australiano Angus & Julia Stone, parece que projetos musicais formados por duplas de parentes estão a me perseguir...

Navegando pelo Pitchfork, dou de cara com a notícia do lançamento do novo álbum do Ben + Vesper. Indie rock, inflexão folk, baladinhas grudentas... Nada de surpreendente, mas os delicados sons desse casal de New Jersey podem tornar ainda mais felizes as tardes chuvosas de verão.



Gostou? Então clique aqui com o botão direito do mouse para baixar, de graça :), My Father's Eyes, primeiro single do próximo disco do Ben + Vesper, Honors, que deve sair em 25 de janeiro.

Semana natalina: The Kinks


A seleção natalina do blog não deixaria de fora uma das minhas bandas favoritas. Father Christmas foi lançada pelo Kinks em 1977 e conta a história de um papai noel de shopping assaltado por um bando de crianças que, em vez de presentes, pedem dinheiro (e emprego para os pais). E os brinquedos? Give all the toys to the little rich boys!

21 dezembro, 2010

Semana natalina: Goofy & Max

Uma cançoneta "tola", na definição do próprio compositor, Donald Yetter Gardner (1913 - 2004), foi minha escolhida para hoje na programação natalina. Aos sete anos de idade, tudo o que queremos são todos os dentes na boca... Confira All I Want for Christmas Is My Two Front Teeth, com Goofy & Max:

Pessoas que amamos


Navegando sem rumo nesta madrugada descubro que há uma versão em francês para Sabiá (Antonio Carlos Jobim & Chico Buarque de Holanda). Chama-se La Mésange - mésange, ensina o dicionário, é uma palavra genérica para definir passarinho - e foi gravada lá em 1968 por Françoise Hardy. A letra ficou mais ou menos (quer dizer, o original é praticamente insuperável). A minha quase ignorância em francês e a doce voz de Françoise compensam a deficiência.



Chante comme la mésange, chante comme, comme tu chantais
Pour moi il y a bien longtemps
Que je fasse un long voyage à travers le temps

Chante encore la mésange, chante encore, que je sente l'ombre
De la forêt qui n'existe plus
L'odeur du vent qui s'est perdu
Et que des fleurs, plus belles que jamais
Quittant la prison, délivrent soudain, revivre, revivre

Chante encore la mésange, chante encore que je puisse enfin
Revoir l'horizon au bout du chemin
Boire à la fontaine du lendemain
Goûter la saveur qu'avait chaque jour
Lorsque j'attendais mon premier amour.

(versão de Frank Gerald)

20 dezembro, 2010

Semana natalina: The Killers

Don't Shoot Me Santa, single natalino do The Killers, dando sequência à listinha jingle bells da semana. Não, não vou postar nada do John Lennon :)

Visita, música, Amsterdam...

Westerkerk, Amsterdam, maio de 2005

Visitas sempre são boas. Hoje embarcamos em álbuns de fotos, lembranças de viagens, coisas esmaecidas na memória de pouco mais de meia década e do mês passado. Revelei o quanto gosto de Amsterdam, a música do belga Jacques Brel que David Bowie e John Denver gravaram (em inglês) - a descoberta foi logo depois que voltei da cidade, lá em 2005, e rendeu até um post no meu velho blog (link aqui).


Santa Wikipedia sugeriu outros artistas que também gravaram Amsterdam. E assim chegamos a uma cantora irlandesa "de cabaré" (adorei a definição). Gostamos. Camille O'Sullivan. Veja & ouça:



Ps: ah, a memória, sempre me traindo... eu conhecia Camille por causa de uma versão de Rock 'n' Roll Suicide, original de Mr. Bowie:

O gato e o Natal


Ainda no embalo natalino: o gato descobre a árvore:

19 dezembro, 2010

Semana natalina: Coldplay

Tinha falado previamente de música e Natal neste post. Depois, ganhei de presente o álbum da Annie Lennox com canções natalinas (A Christmas Cornucopia). Hoje, encontro Coldplay em clima noel. Então, já que não dá para fugir da festa comercial e cristã, vou postar até dia 25 uma música por dia no embalo jingle bells. Não atendo a pedidos e não vou falar nada sobre a Simone :)

18 dezembro, 2010

Mr. Beefheart is dead



Eu nem precisaria puxar o vídeo acima para o blog. Mais fácil seria postar a busca do YouTube já com a palavra-chave para que você mesmo, sem minha intermediação, se encantasse pelo bizarro universo de Don Van Vliet, aka Captain Beefheart (1941-2010). Se você nunca ouviu música "fora dos padrões" em sua vida, vá por este caminho. Mas vá com calma. Como grande artista, CB deve ser apreciado aos poucos. Há pessoas, como Matt Groening por exemplo, que só foram gostar do álbum Trout Mask Replica lá pela sétima audição (algo semelhante aconteceu comigo em relação ao Joy Divison; achei a banda óbvia demais - eu tinha 17 anos, dou-me hoje um desconto). Mas foquemos em Mr. Beefheart. Seu nome foi (ainda é?) trend topic no Twitter. Acordei com a notícia da morte dele ao checar mensagens no celular. Tinha 69 anos. Desde 1982 havia trocado sua música cheia de arestas, meio caminho entre art rock, delta blues e a pura experimentação, pela pintura (tanto que foi o dono de uma galeria onde ele estava expondo que anunciou a morte à imprensa). Contudo, o tempo que dedicou aos discos e shows foi mais do que suficiente para colocá-lo entre os grandes artistas do pós-guerra e influência decisiva para as gerações seguintes. O LA Weekly (de onde roubei a foto de CB & banda que ilustra o post) listou 14 tópicos que comprovam a genialidade do músico. Não sei por que 14, e algumas razões elencadas são até questionáveis (e depois da leitura vá para o perfil escrito por Lester Bangs. Lenda sobre lenda). Aproveite para colocar o inglês em dia, ouça Don Van Vliet o fim de semana inteiro e compre uma guitarra (ou pincéis) na segunda-feira.

Pessoas que amamos




Quero pintar as portas de preto...


Rolling Stones
, Paint it Black

I see a red door and I want it painted black
No colors anymore I want them to turn black
I see the girls walk by dressed in their summer clothes
I have to turn my head until my darkness goes



Marie Laforêt, Marie Douceur/Marie Colère

Marie douceur c'est ainsi que tu me surnommes
Tu crois bien sûr me connaître mieux que personne
Marie colère existe aussi fais bien attention
Je te l'ai déjà dit cent mille fois sur tous les tons

16 dezembro, 2010

Ay, caramba!

Sem computador - o notebook talvez volte do conserto na sexta-feira - resolvi invadir o PC do meu flatmate para responder e-mails e pesquisar música. Estou com a cabeça a rodar para um novo 8 x 7. Resolvi montar uma seleção de músicas cantadas em espanhol (graças a Sacha Nairobi, que não sai da minha cabeça há alguns dias...) e me deparo com uma versão para ¿Por que te Vas? a cargo de uma banda catalã chamada Presidente.



Ay, caramba, o que é isto?? Atenção ao figurino e à coreografia! Irresistíveis! Se ficou com vontade de cantar (talvez você conheça a canção a partir do Pato Fu ou do filme Cria Cuervos, do Carlos Saura), segue a letra:

Hoy en mi ventana brilla el sol
Y el corazon
Se pone triste contemplando la ciudad
Porque te vas.
Como cada noche desperte
Pensando en ti
Y en mi reloj todas las horas vi pasar
Porque te vas.

Todas las promesas de mi amor se iran contigo.
Me olvidaras
Me olividaras.

Junto a la estacion hoy
Llorare igual que un niño
Porque te vas

Bajo la penumbra de un farol
Se dormiran
Todas las cosas que quedaron por decir
Se dormiran.
Junto a las manillas de un reloj
Esperaran
Todas las horas que quedaron por vivir
Esperaran
Todas las promesas de mi amor se iran contigo
Me olvidaras

Junto a la estacion hoy
Llorare igual que un niño
Porque te vas

(José Luis Perales)

13 dezembro, 2010

Insone



Ouça Do It Again, single de Edwyn Collins. A faixa está em Losing Sleep, novo álbum do ex-líder do Orange Juice (sempre achei esse nome estranho, mas nunca reclamei do Half Man Half Biscuit).

Quem adivinhar o nome do cara de bigode que aparece no clip ganha um "parabéns" meu.

Pornô antigo

Maravilha esta coleção de cartazes de antigos filmes adultos! Em uma época em que a exposição de ancas e joelhos poderia ser de alta voltagem erótica, a imaginação dos artistas gráficos corria solta para dar conta do recado (e da libido do público). Mas tudo muito ingênuo aos olhos de hoje. E kitsch, é claro.

Minha preferida: As Aventuras Eróticas de Zorro, o primeiro filme classificado como "Z".

Para ver outros cartazes, clique aqui. Via Designers Couch.

11 dezembro, 2010

Alô?

Estou sendo assombrado por um telefonema dos infernos. Há três dias, nos momentos mais inconvenientes, o celular toca, o número (11) 2535-8200 é identificado, atendo, a chamada cai. Retorno a ligação. Uma gravação da Telefônica avisa que o número não existe. Ligo do fixo. Idem, número inexistente. Hoje a palhaçada começou cedo. Dez horas. Ao longo do dia foram mais cinco ligações. Enchi o saco. Mesmo. Em googlada básica, descubro que o tormento não é exclusividade minha (ufa, logo não estou em um bizarro mix de reality show involuntário com O Chamado!). Alguns internautas jogam o número para o colo da Telefônica (o que se confirma aqui). Liguei para lá. O atendente, muito simpático, disse que não sabia do que se tratava e sugeriu que eu bloqueasse meu número contra ações de marketing no Procon. Foi o que eu fiz. Vamos ver o que vai acontecer...

Fonte da imagem: aqui

Glamour!


Alton McClain & Destiny
, Crazy Love.
Porque às vezes é difícil fugir da disco music aos sábados :)

Tragédia grega em (menos de) 3 minutos


Édipo Rei, de Sófocles (497 ou 496 a.C. - 406 ou 405 a.C)

08 dezembro, 2010

Volume máximo

Saí de fininho antes do final da primeira palestra do Seminário Internacional Rumos Jornalismo Cultural - culpa do calor, do sono e, principalmente, da apatia pelo tema, O Valor da Crítica. Anotei, contudo, para felicidade de meus 20 e poucos leitores diários (yes! Eu monitoro visitas pelo Google Analytics!), o endereço do site da revista Loud & Quiet. O editor da publicação, Stuart Stubbs (um dos participantes do debate), disse que fundou a revista impressa pois não via mais no mercado editorial inglês um veículo que contemplasse novas bandas, fizesse capas bacanas e que desse gosto de ler longas matérias sobre rock & pop. "A revista fala de novidades musicais por meio de um veículo antigo", sintetizou. Detalhe: é grátis!

Stuart é um cara das antigas, que prefere ouvir música de CD e vinil a baixar conteúdo da internet, mas não é bobo de ignorar o poder dos blogs (onde sempre cata novidades para os leitores dos 15 mil exemplares que cada número da revista tira da gráfica). Se estiver em Londres e arredores, #ficaadica. Caso contrário, o site da revista está aqui. Mas nem se anime: o produto é pensado para o papel, e o acesso à edição digital custa algumas librinhas esterlinas. Sim, o site é só para dar um gostinho... Se preferir, vá pelo Twitter.

Juventude bem vivida

O produtor alemão Rajko Müller, do projeto Isolée, anunciou que em fevereiro sai seu mais novo trabalho, Well Spent Youth, o primeiro desde We Are Monster (lá dos idos de 2005). Segundo o Pitchfork, o álbum terá 11 faixas. Não encontrei nenhuma por aí mas, para matar saudade, segue o clip de Beau Mot: Plage, a primeira música que conheci do Isolée:

07 dezembro, 2010

8 x 7 #3: de BB a RR

Terceira edição do 8 x 7, com foto (e música, é claro!) de Brigitte Bardot, escalas no Oriente (The Forgotten People, do Thievery Corporation), samba à latina (Costo Rico) e uma pedalada no lounge lá pelo final. Play & enjoy!

8 x 7 #3 by fmelato

Tu Veux, Tu Veux Pas
Brigitte Bardot

Dribe by Dub
Dub Trio

Por Esos Mares
Costo Rico

Amari Szi, Amari
(Amon Remix)
Luminescent Orchestrii

The Forgotten People
Thievery Corporation

Peace Pipe
Nickodemus feat. Jean Shepherd

Capri
(The Nightfly Edit Mix)
The Groove Lovers

L'Amour avec Toi
Rouge Rouge

06 dezembro, 2010

Ei, Noé!

E assim os dinossauros foram extintos :)

Velvet & Nico


Here she comes, you better watch your step
She's going to break your heart in two, it's true
It's not hard to realize
Just look into her false colored eyes
She builds you up to just put you down, what a clown

'Cause everybody knows (She's a femme fatale)
The things she does to please (She's a femme fatale)
She's just a little tease (She's a femme fatale)
See the way she walks
Hear the way she talks

You're written in her book
You're number 37, have a look
She's going to smile to make you frown, what a clown
Little boy, she's from the street
Before you start, you're already beat
She's gonna play you for a fool, yes it's true

'Cause everybody knows (She's a femme fatale)
The things she does to please (She's a femme fatale)
She's just a little tease (She's a femme fatale)
See the way she walks
Hear the way she talks

(Lou Reed)

Santo do dia: Nicolau

São Nicolau (1294), Igreja de Velikiy Novgorod, Rússia

Ao telefone, minha irmã insistiu que a data correta seria 8 de dezembro. Mas a Ivana, blumenauense da gema que reside em paragens germânicas, foi quem confirmou logo cedo via Twitter: hoje, 6 de dezembro, é dia de São Nicolau!

A lembrança despertou memórias afetivas. Minha mãe escondia pequenos papais-noeis de chocolate em cantos inusitados da cozinha - uma vez, foi no fogão a lenha (apagado, é claro!).

Apesar das origens italianas da famiglia, rolava na minha casa um certo sincretismo cultural com as tradições dos imigrantes alemães, como assar cucas aos sábados e festejar São Nicolau, antecipando em 6 de dezembro pequenas doses da nossa mais desejada doçura natalina, o chocolate!

O tal papai-noel açucarado, contudo, não tinha nada de bom velhinho: era um bonequinho carrancudo moldado em chocolate, e as roupas pareciam-se com a de um bispo. Faz sentido. São Nicolau (270 – 6 de dezembro de 346), uma das figuras que inspirou o moderno Papai Noel de roupas vermelhas e aparência bonachona, não tinha nada de bonzinho. Era uma figura autoritária que só deixava chocolates pela cozinha se a prole tivesse se comportado ao longo do ano. Em uma época em que crianças não tinham prescrição para tomar ritalina, nada mais eficiente.

A tradição de São Nicolau, não sei quando ou por que, sumiu da minha casa. Nos 20 anos que morei em Florianópolis, não lembro de ter encontrado alguém que conhecesse a comemoração de 6 de dezembro. Na Alemanha, tuitou a Ivana, o São Nicolau continua forte e flerta com o Halloween - as crianças pedem doces de casa em casa e enchem a sacola se recitarem versos ou demostrarem algum talento.

Ah, e caso não saiba, segure-se na cadeira: Papai Noel, tal qual infesta dezembro, foi uma invenção da Coca-Cola lá pelos idos de 1930. E ele não existe!

Pessoas que amamos

Em março de 1949, Montgomery Clift (1920-1966) caiu da cama. Foto de Stanley Kubrick publicada em Drama & Shadows: Photographs 1945-1950.

05 dezembro, 2010

Muita calma...

O cartaz é de 1939, e o slogan, em minha tradução bobo-alegre, significa "mantenha a calma e siga em frente".

Cartazes assim foram impressos aos milhares pelo governo britânico (a coroa não está aí só por bonita) para motivar a população às vésperas da Segunda Guerra, mas não foram distribuídos e caíram no limbo dos esquecidos... até que uma caixa cheia de pôsteres foi descoberta em 2000.

O slogan virou mania. Você pode ler mais sobre a história no site da BBC (texto original em inglês sem legendas).

Agora, a parte mais bacana: no blog De(coeur)ação encontrei variações do pôster para baixar e imprimir (o copyright já foi para o espaço, e ninguém se lembra mais quem foi o artista gráfico que bolou o "keep calm").

Gostei do frango, vai cair bem na cozinha.

02 dezembro, 2010

Um parque para a cidade

Há um movimento em São Paulo para transformar uma área de 24 mil metros quadrados, entre as ruas Augusta, Marquês de Paranaguá e Caio Prado, em parque público. Não hesitei em assinar o abaixo-assinado online - link aqui. Parque nunca é demais para uma metrópole.

No terreno ficava o colégio Des Oiseaux (foto), fechado lá no fim dos 1960 e demolido 10 anos depois. Restaram no local 600 árvores, algumas centenárias, e resquícios de Mata Atlântica.

Se o parque não sair do papel, um hipermercado pode surgir no lugar. Enquanto isso, o terreno de R$ 30 milhões (segundo reportagem da Vejinha) vai sendo usado como estacionamento.

Se alguém ganhar uma super Mega-Sena acumulada e quiser entrar para a história pode comprar a área e doá-la para a cidade, que tal? :)


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Heart, soul



Nina Simone mandando Ain't Got No, I Got Life ao piano é para animar o dia de qualquer cidadão!

I got my arms, my hands, my fingers,
my legs, my feet, my toes,
and my liver, got my blood.

I got life, and i'm going to keep it
as long as i want it, I got life.

01 dezembro, 2010

A velha Paris

Saint-Cloud em 1924 e 1998: quantas diferenças você percebe?

Tuitei há pouco, para não perder o link. Mas o assunto é tão interessante que merece ser ampliado para além dos poucos caracteres do microblog. Em 1989, Christopher Rauschenberg viu um portão em Paris que o fez recordar de uma velha foto de Eugene Atget - que fotografou a capital francesa de 1888 a 1927. Ele se perguntou quantas outras imagens de Atget ainda permaneciam intocadas na paisagem da cidade. Então Rauschenberg refotografou 500 trabalhos de Atget. Surpresa: em quase um século, Paris pouco mudou, apesar das guerras, do progresso e da expansão urbana. Vinte e quatro dessas comparações estão no site Lens Culture.

Faro fino

Catei a dica no Rosana Indica, da @rosana, naveguei, curti e joguei nos favoritos. O Busk apresenta-se como uma "rede social de notícias" e fareja palavras-chave em diretórios informativos, além de permitir refinar a pesquisa em microníveis, como o autor e o idioma. O vídeo explica como funciona. E o logotipo, vamos combinar, é um charme à parte. #ficaadica

Porter contra a aids

Há duas décadas saía Red Hot + Blue, o primeiro álbum da série cuja renda é revertida para financiamento de pesquisa sobre aids e apoio a pessoas que vivem com HIV. Como hoje é o dia mundial de luta contra a aids, publico aqui o clip da primeira música do primeiro Red Hot + Blue: Neneh Cherry, I've Got U Under My Skin.



O original é Cole Porter, como todas as 20 faixas do primeiro RH+B: um mito da música americana reinventado acorde a acorde, verso a verso, por uma causa nobre. Se vivo fosse (Porter, registra a Wikipedia, viveu de 1891 a 1964), ele aprovaria tamanha reforma estética? Vá saber... De qualquer forma, as comemorações pelo centenário de nascimento do compositor (e o projeto RH+B estava no pacote) apresentaram Porter a uma geração (a minha) que poderia simplesmente ignorar a importância dele para o pop.

>>> Navegue pelo site oficial do RH+B.

Petisco de marketing: Tron

Hollywood Records liberou no My Space uma amostra da trilha sonora do filme Tron - the Legacy, que deve estrear no Brasil em 17 de dezembro. São 21 minutos de um mix do Daft Punk, ou seja, nada de excepcional, apenas e-music de qualidade (um pouco trance demais nos primeiros minutos).

E o filme... bem, trata-se uma continuação de Tron, Uma Odisseia Eletrônica, de 1982. Sim, quase três décadas se passaram até que alguém na Disney resolvesse bancar a sequência. Na primeira parte, herói e bandido medem forças no mundo virtual. Os efeitos para a época em que videogame era Atari deram conta da imaginação. Sobre o segundo filme, dei-me por satisfeito ao conferir no IMdB que o alias de Kenin Flynn (Jeff Bridges) ganhou sufixo e virou Clu 2.0.

Para brincar de jogo dos sete erros, o trailer de um e de outro:




Ps.: o que eu gostei mesmo foi dos modelos de tênis usados em Legacy.

O punk continua vivo

Siouxie Sioux por Ann Summa

The Beautiful & the Damned - o bonito e o desgraçado (damned em tradução elegante) - é uma coleção de imagens do fotógrafo Ann Summa que acaba de ser publicada pela Foggy Notion Books/Smart Art Press. O álbum foca em músicos, artistas e fãs que, segundo o site oficial do livro, transformaram Los Angeles em parte crucial da história do punk na década de 1970. À venda por 26,37 dólares na Amazon. Detalhe: 95 fotos são inéditas.